Blog de TIAGO SANTIAGO

29/11/2008

Sempre tive excelentes artistas em minhas novelas, desde "A Escrava Isaura", primeira que assinei como autor titular, em 2004. Tenho 31 anos de carreira como artista, 23 anos como dramaturgo, 18 escrevendo novelas de TV. As pessoas do meio conhecem a qualidade do nosso trabalho, sabem que fazemos muito sucesso. Com "Os Mutantes", temos 15 pontos de média, há mais de um ano no ar, caminhando para dois, com picos de quase 30 pontos em SP, em 2008. É claro que vamos ter um elenco estelar para a temporada de 2009 de "Caminhos do Coração". Os atores de minhas novelas sabem que escrevo para todos, não só para alguns. Tenho que finalizar a sinopse até começo de dezembro. Em breve teremos grandes notícias.

Tenho pena do jornalista Ricco, que mostra seu pobre domínio do português, com erros freqüentes em sua coluna de TV, no tradicional jornal "A Tribuna da Imprensa". Vejam, por exemplo, a frase publicada em 29/11:

"É precisa agir com maior responsabilidade.Coisas como "Os mutantes" não são, e nem podem, ser levadas a sério".

Pelo clipping de imprensa que recebi, a frase estava escrita deste jeito, com erro de ortografia e péssima colocação de vírgula. Como um jornal com a tradição de "A Tribuna da Imprensa" permite tamanha falta de revisão na sua coluna de TV?  É o mesmo colunista que publicou que seria errado falar de "Olimpíadas", assim no plural, apesar do uso corrente desta forma, em grandes jornais e telejornais do país. Tsc, tsc, tsc... Enfim, enquanto os cães ladram, a caravana passa. Vamos para mais uma novela de muito sucesso. Que fale mal à vontade... Pouco me importo. Dá-me pena. Vou continuar a fazer o meu trabalho, procurando sempre abrir empregos, fazer concorrência de alto nível, proporcionar para a audiência novas opções de novelas brasileiras, renovando o gênero, com grande investimento em pessoal, tecnologia e infra-estrutura, por parte da Record.

Vejam cenas que vão ao ar nesta segunda:

CENA 14. CASA DE MARISA. int. DIA

ARI OLHA COM INTERESSE OS CLASSIFICADOS DO JORNAL SENTADO NO SOFÁ. ELE PROCURA EMPREGO. DANILO SE ARRUMA EM FRENTE AO ESPELHO. VAI CONHECER A ESCOLA DE ARTES.

DANILO               — Não vejo a hora de chegar na Escola de Artes Cênicas. Ai tô tão nervoso! Será que um dia vou ser uma grande estrela da televisão brasileira? Na TV eu só vou fazer papel de bofe. (FAZ POSE DE BOFE NO ESPELHO) Será que o dia de hoje é o início de uma trajetória de grande sucesso artístico para Danilo Mayer?

ARISTÓTELES    — Fica calmo, Danilo. Segura a ansiedade, filho. Até você se tornar um artista conhecido vai ter que ralar muito. De qualquer modo prefiro você trabalhando como artista que como estilista. Apesar das duas profissões serem alvo de preconceitos.

DANILO               — Se eu fosse ligar para preconceito nem levantava da cama todas as manhãs. Quero é ser feliz!

TOCAM A CAMPAINHA, ARI VAI ATENDER.

ARISTÓTELES    — Quem será?

DANILO               — Cuidado antes de abrir. Verifica direito quem é.

ARISTÓTELES OLHA NO OLHO MÁGICO.

ARISTÓTELES    — Quem é?

BENÉ                    — (OFF) É o Bené.

ARISTÓTELES    — Bené? Qual Bené?

BENÉ                    — (OFF) Bené... Benedito... o filho da dona Marisa... dona dessa casa... Quem tá aí?

INSTANTES. DANILO E ARI SE OLHAM ATÉ QUE CAI A FICHA.

DANILO               — Abre a porta, pai. É o filho da dona Marisa, a dona da casa.

ARI ABRE A PORTA, E BENÉ JÁ VAI ENTRANDO. ELEGANTE, BEM VESTIDO, CHARMOSO, COM ARES DE MACHÃO. ARI ESTENDE A MÃO.

ARISTÓTELES    — Como vai? Aristóteles Mayer.

BENÉ                    — Benedito Gama, mas pode me chamar de Bené.

ELE CUMPRIMENTA ARISTÓTELES. DEIXA A BOLSA DE VIAGEM E SÓ AGORA OLHA PARA DANILO.

CLIPE RÁPIDO. ROBOCOP GAY.

TROCA DE OLHARES DE DANILO E BENÉ. UM SE ENCANTA COM O OUTRO, À PRIMEIRA VISTA.

A PARTIR DE AGORA DANILO E BENÉ SE OLHAM O TEMPO INTEIRO E IGNORAM ARISTÓTELES COMPLETAMENTE.

DANILO               — Muito prazer, meu nome é Danilo. Danilo Mayer, mas pode me chamar de Dan... ou Danilinho...

BENÉ                    — Muito prazer, Danilo... Eu sou o Bené, filho mais velho da Marisa. Você é primo da Cleo, né? Eu sou muito amigo dela!

DANILO                 Que coincidência maravilhosa!

BENÉ ESTENDE A MÃO PARA DANILO QUE APERTA A MÃO DE BENÉ.

DETALHAR: MÃOS DE BENÉ E DANILO SE APERTANDO.

DANILO               — O prazer é todo meu.

TROCA DE OLHARES DOS DOIS, COMPLETAMENTE ENCANTADOS UM COM O OUTRO. AMOR À PRIMEIRA VISTA.

CORTA PARA

 

Vejam mais uma cena da novela, que vai ao ar nesta próxima semana:


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 22h49
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CENA 15. DEPECOM. SALA MENOR.int. DIA

BETO E ALINE CONVERSAM RESERVADAMENTE.

ALINE                  — Beto, como vamos chegar até a ilha dos Mutantes se o espaço aéreo ao redor da ilha tá fechado? Nenhum helicóptero ou aeronave pode se aproximar! Até porque as naves alienígenas não deixam!

BETO                    — Nossa única chance é ir pelo mar, Aline. Contratei um veleiro pequeno, de um pescador da Vila Caiçara, pra nos levar à noite. Acho que desse jeito, vamos conseguir chegar na ilha sem sermos percebidos tanto pelos militares quanto pelos alienígenas. Ainda de noite, vamos ter que esconder bem o veleiro. De dia, vamos tentar achar os sobreviventes... e vamos fugir da ilha na noite seguinte... Temos que ficar lá o mínimo de tempo possível.

ALINE                  — Tomara que dê tudo certo! Puxa, quem diria, extraterrestres já invadiram nosso planeta! Essa ilha, na verdade, já não pertence mais a nós, humanos. É um pedaço do planeta que foi dominado pelos reptilianos!

BETO                    — O governo ainda não diz isso com todas as letras. As autoridades não assumem a existência de extraterrestres pra não espalhar o pânico na população, mas muitas pessoas já acreditavam na existência de bases extraterrestres no planeta, ainda antes da aparição dos reptilianos no Brasil.

ALINE                  — Que loucura!

BETO                    — Nessas bases, os ETs têm liberdade pra realizarem pesquisas com humanos e com os recursos naturais da terra. Fontes confidenciais nas Forças Armadas dizem que o governo americano sabe de tudo, mas não reage porque fizeram um pacto com os reptilianos, em troca de terem acesso à tecnologia avançada deles.

ALINE                  — Sei... como a famosa Área 51, aquela base militar no deserto de Nevada, nos Estados Unidos. Dizem que lá os militares americanos fazem testes com naves espaciais. Supostamente, é pra lá que são levados os Óvnis e os alienígenas... pra serem examinados.

BETO                    — Exatamente. Os restos da nave espacial do famoso caso Roswell foram levados pra Área 51 e são estudados pelos americanos até hoje.

ALINE                  — É impressionante. Porque algumas pessoas juram que foram abduzidas por alienígenas, mas pouca gente acredita na existência desses seres.

BETO                    — A população tá dividida. Parte acredita porque já viu Óvnis ou conhece casos de abdução... mas outra parte duvida, acha que é tudo histeria, ficção científica.

ALINE                  — É difícil mesmo acreditar. A gente vive uma vida tão corrida, tão cheia de compromissos e obrigações, que não tem tempo pra pesquisar, pra ir atrás da verdade.

BETO                    — Eu sei, só que meus informantes nas Forças Armadas brasileiras comentaram diversos casos estranhos ocorridos aqui mesmo, no nosso país.

ALINE                  — É mesmo? Que casos são esses, Beto?

BETO                    — Olha, Aline, os mais impressionantes são os casos de óbito no Maranhão e no Pará, no final da década de 70. Dezenas de agricultores foram atacados pelo que chamaram de Chupa Chupa.

ALINE                  — Que nome estranho.

BETO                    — O Chupa Chupa, ou Luz Vampira, foi uma série de ataques contra seres humanos, que causou medo e pânico na população de localidades nesses dois estados. Objetos voadores não identificados atacavam as pessoas com raios paralisantes e extraíam sangue delas. É só dar uma pesquisada na internet, pra ver que isso tudo é a real! Desde a década de 70, eles já estavam aqui, no Brasil, fazendo experiências... e ao mesmo tempo confiando que as pessoas continuem a duvidar da existência deles.

ALINE                  — Nossa, que horror! Isso mostra como os reptilianos não estão mesmo pra brincadeira.

BETO                    — Foram tantos casos registrados de pessoas anêmicas na região, com queimaduras de segundo grau pelo corpo, relatando terem sido atacadas por naves que as paralisavam com uma luz potente, que as autoridades locais solicitaram uma investigação da Aeronáutica. 

ALINE                    A misteriosa Operação Prato, não é isso?

BETO                    — Isso mesmo. A Aeronáutica realizou várias missões de reconhecimento por lá. Tiveram alguns casos de contato com Óvnis, mas todas as testemunhas foram proibidas de relatar qualquer informação, pra não quebrar a hierarquia militar.

ALINE                  — Nosso país já teve muitos casos de aparições extraterrestres. Há muito tempo eles já sabem de tudo, e não alertam a população... É impressionante!

BETO                    — Provavelmente já eram missões exploratórias dos reptilianos. Eles deviam tá procurando uma base permanente no Brasil.

ALINE                  — E acharam na Ilha dos Mutantes, pelo jeito.

BETO                    — Deus nos ajude, Aline, porque vamos enfrentar muitos perigos naquela ilha!

NA TROCA DE OLHAR PREOCUPADO ENTRE BETO E ALINE,

CORTA PARA

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 22h44
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27/11/2008

SIMONE               — Aja! Você sabe que existe uma Vontade maior que se manifesta na mente como a idéia de uma ação que tem que se realizar, como a sede demanda água, como as necessidades do corpo, coisas que você simplesmente tem que fazer. O que quer que você faça, para onde for, conhecerá o poder da Vontade. Seu desejo mais profundo é seu caminho. Você deve aceitar a busca de seu sonho. Pergunte-se qual é a sua vontade verdadeira, quais são os caminhos do seu coração?

 

Hoje picos de 17 pontos. Na semana, picos de até 19 pontos.


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 23h02
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Na segunda, tive reunião com Avancini e Hiran, sobre planos pra próxima fase, inclusive elenco. Vamos fechar elenco de primeira, mais uma vez. Ontem tive reunião de criação com a equipe de colaboradores. Marcelo e Maria vão sair da Ilha dos Mutantes, nos próximos capítulos, e Maria vai expulsar Samira da mansão. Tudo isso já foi até gravado e vai em breve ao ar. Estou criando agora o casamento de Marcelo e Maria. E novas e grandes emoções vêm por aí. Vejam abaixo cenas do cap de hoje:

CENA 15. PRAIA. CAMPING. EXt. dia

CONT. DA CENA 12 DO CAP. ANTERIOR.

INSERIR EFEITO: CRIS SUSTENTA BOLA DE ENERGIA COM AS MÃOS LEVANTADAS.

CRIS                     — Vocês vão se arrepender do que fizeram comigo! Seres humanos violentos!

TOBIAS                — Foi mal, cara! A gente se enganou, desculpa aí.

ADILSON             — Deu pra ver que você é um mutante do bem. Ninguém vai fazer nada aqui contra você!

CRIS                     — Eu é que vou acabar com um por um!

INSERIR EFEITO: CRIS LANÇA CAMPO DE ENERGIA DOLOROSA NOS PITBOYS.

INSERIR EFEITO: TOBIAS, ADILSON E OS PITBOYS SENTEM DOR, ASSUSTADOS, NO CAMPO DE ENERGIA DOLOROSA, CRIADO POR CRIS.

TOBIAS, ADILSON E PITBOYS COMEÇAM A SOFRER, COM DOR.

TOBIAS                — Arghhhhhh!! Pára com isso! Tá doendo muito!

CRIS                     — Vai doer ainda mais!

ADILSON             — Ai!! Você vai acabar matando a gente desse jeito! Socorroooo!!

CRIS                     — Não adianta gritar! Não tem ninguém pra te salvar!

DE REPENTE, CRIS COMEÇA A OUVIR O CANTO DA SEREIA.

SONOPLASTIA: LINDO CANTO DA SEREIA.

CRIS                     — Iara... Só pode ser ela...

INSERIR EFEITO: RABO DE SEREIA NO MAR.

CRIS                     — Iara! É ela mesma! Minha sereia voltou pra mim.

CRIS OLHA PARA O MAR E VÊ IARA, SAINDO DAS ÁGUAS E SE APROXIMANDO. ELE FICA FELIZ.

CRIS ABAIXA AS MÃOS.

INSERIR EFEITO: CAMPO DE ENERGIA CESSA.

PITBOYS CAEM NO CHÃO, SOFRENDO.

CRIS VAI ATÉ IARA, QUE JÁ ESTÁ BEM PRÓXIMA DELE.

CRIS                     — Iara, meu amor! Que saudades!

IARA                     — Por que você tava fazendo isso com esses rapazes, Cris?

CRIS                     — Eles mereceram! Tive minhas razões. Mas você não parece feliz...

IARA                     — Tô muito triste de ver que você se tornou uma pessoa maligna. Você quase matou esses moços!

CAM. VAI PARA PITBOYS CAÍDOS. TOBIAS COCHICHA COM ADILSON, COM MEDO.

TOBIAS                — Vamô aproveitar que o maluco tá distraído e se mandar!

PITBOYS SAEM CORRENDO E FOGEM.

CRIS                     — Não fala assim, Iara. Você tá sendo injusta. Eles tentaram me matar. Só me defendi. Juro que não me tornei essa pessoa má, como você tá falando...

IARA                     — Será mesmo?

CRIS ABRAÇA IARA, FELIZ.

CRIS                     — Tô tão feliz de te ver, minha sereia! Você não sabe a falta que me faz!

IARA                     — Também senti muito a sua falta. Voltei só pra te encontrar, Cris... Todos os dias, eu acordava e vinha mergulhar na beira da praia só pra ver se você não estava por perto...

CRIS                     — Que sorte a minha ter vindo pra cá! Meu coração parece que tava me dizendo... sofri muito sem você, meu amor... Mas nunca imaginei que fosse te ver de novo... É muita felicidade!

IARA SE AFASTA E O OBSERVA, COM PESAR.

IARA                     — Tenho pena de você, Cris.

CRIS                     — (FICA TRISTE, DE REPENTE) Pena? É porque eu envelheci, não é?

IARA                     — Você tá muito diferente... Sua pele... essas rugas... a barba... Nem parece o meu Cris.

CRIS                     — Mas eu ainda sou a mesma pessoa de sempre.

IARA                     — Acho que a gente nunca vai dar certo... não devia ter voltado...

CRIS                     — Você não me quer mais, Iara? É isso?

CORTA PARA

CENA DE ARQUIVO. VISTA AÉREA DE SÃO PAULO. EXT. DIA

CENA 16. quarto de HOTEL DE IRMA. int. DIA

IRMA ESTÁ PASSANDO UM CREMINHO NO ROSTO, CANTAROLANDO O TEMA DE ABERTURA DA NOVELA. INSTANTES EM IRMA. CÉSAR ENTRA AGITADO, NERVOSO E CHEIO DE TIQUES.

IRMA                    — César, querido, que cara é essa? Parece até que você viu o fantasma do finado Sócrates Mayer. O que foi que aconteceu?

CÉSAR                 — O que aconteceu? Fui seguido por um sujeito esquisito, forte, musculoso, enorme! O marmanjo saiu atrás de mim pelas ruas, eu tentei disfarçar, sair de fininho, mas ele me seguiu sem parar. Acho que ele viu quando entrei aqui no hotel. 

IRMA                    — Um sujeito esquisito, forte, musculoso, enorme? Certamente é alguma biba malhadona que sentiu uma paixão irresistível por você.

CÉSAR                 — Deixe de brincadeiras, Irma. O caso é sério. Antes fosse uma biba malhadona. Desconfio que o sujeito é um mutante gigante.

IRMA                    — Um mutante gigante?! Afe, César! Agora fiquei com medo. O que um mutante gigante pode querer com a gente?

SONOPLASTIA: BATIDAS FORTES NA PORTA DO QUARTO DE HOTEL.

IRMA E CÉSAR SE OLHAM APREENSIVOS. CÉSAR SE APROXIMA DA PORTA.

CÉSAR                 — Quem é? Quem está aí fora?

SONOPLASTIA: MAIS BATIDAS FORTES.

IRMA SE DIRIGE A PORTA E FALA COM FIRMEZA.

IRMA                    — Nós não vamos abrir essa porta se não soubermos quem está batendo. E quer saber do que mais? Vamos ligar pra a recepção e chamar a segurança.

CÉSAR                 — Bem pensado, Irma. Vou ligar pra recepção e pedir ajuda aos seguranças do hotel.

INSTANTES. DE REPENTE A PORTA SE ABRE COM VIOLÊNCIA, EM CONSEQUÊNCIA DE UM SOCO DADO PELO MUTANTE SANSÃO.  SANSÃO ENTRA DECIDIDO E ENCARA IRMA E CÉSAR, QUE FICAM APAVORADOS.

NO SUSTO DE IRMA E CÉSAR, ACUADOS, VENDO SANSÃO RUGIR.

CORTA PARA

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 15h19
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25/11/2008

Eu amo Bibi Ferreira. Fui ver "Às Favas com os Escrúpulos", bela comédia de Juca de Oliveira, dirigida pelo Jô Soares. Bibi é genial, lúcida, cheia de energia, garante o espetáculo. Traz grande lição de vida e arte a quem vai ao Teatro. Bibi foi abençoada pelo Teatro, desde o nascimento. Tenho orgulho por ter trabalhado com ela. Minha peça "DNA", que deu origem a "Os Mutantes", foi dirigida por ela, em 2004/2005, com produção de Ittala Nandi, que encabeçou grande elenco. Viva Bibi! Obrigado por partilhar conosco o privilégio do seu talento. Vejam cenas que vão ao ar hoje na novela, roteirizadas abaixo:

 

 

CENA 1. laboratório.int.NOITE

CONT. IMEDIATA DA CENA ANTERIOR. MARCELO, MARIA E KÍDOR NAS MESMAS POSIÇÕES.

MARIA                 — Se nós vamos conseguir sair da ilha ou não, isso é um problema nosso. Agora, fala! Pra onde vocês levaram os bebês?

COMANDANTE  — Os bebês estão em São Paulo.

MARCELO          — Isso nós já sabemos. Mas onde? São Paulo é a maior cidade do sul do planeta. É como procurar uma agulha no palheiro.

MARIA                 — Onde vocês esconderam as crianças?

MARCELO          — Fala antes que eu perca a minha paciência e atire na sua perna. Aposto que vai doer bastante.

COMANDANTE  — Os bebês super poderosos estão com os mutantes Gór e Metamorfo.

MARCELO          — Mas onde? A gente quer o lugar exato, fala!

COMANDANTE  — Eu não sei.

MARIA                 — Como não sabe?

COMANDANTE  — O casal de mutantes nos traiu. Eles fugiram com os bebês.

MARCELO          — (SURPRESO) Como é?!

MARIA                 — (FIRME) Você tá mentindo.

MARCELO          — Por que aqueles mutantes do mal trairiam vocês?

COMANDANTE  — Eu também não sei. Parece que a mutante Gór se afeiçoou demais às crianças. E a Juli confiou demais na sua criação. Eu a alertei, não podíamos confiar tanto em humanos geneticamente modificados. Mesmo mutantes, ainda assim são humanos. Vocês são imprevisíveis com todos esses sentimentos contraditórios, ilógicos e irracionais.

MARCELO          — Por essa eu não esperava...

MARIA                 — A Gór e o Metamorfo se arriscando desse jeito por causa das crianças?

MARCELO          — É a força do amor, Maria.

MARIA                 — É verdade. Só o amor é capaz de operar milagres como esse.

COMANDANTE  — O que aqueles mutantes fizeram não tem nada a ver com milagres. Foi uma estupidez, isso sim. Quando eles fugiram, assinaram sua sentença de morte.

MARIA                 — Por um lado, é uma pena não saber onde os bebês estão. Por outro, é muito bom saber que não tão mais com vocês.

MARCELO          — Agora, quero matar uma outra curiosidade, Kídor... Quero ver quem está por trás desse capacete, quero conhecer o rosto daqueles que querem conquistar o nosso planeta.

MARIA                 — Ai, que eca, Marcelo. Esses lagartos marcianos devem ser horripilantes!

MARIA OLHA COM MEDO. MARCELO ABRE O CAPACETE PARA VER ROSTO DE KÍDOR.

INSERIR EFEITO: CAPACETE SE ABRE, DEIXANDO VER ROSTO DE REPTILIANO.

MARCELO          — Meu Deus! Você tem razão, Maria. Eles são medonhos.

COMANDANTE  — (OFENDIDO, EM OFF OU DE COSTAS, SOBRE IMAGENS DE MARCELO E MARIA, PARA NÃO TERMOS QUE VER MOVIMENTO ENQUANTO FALA) É uma questão de ponto de vista. Entre minha espécie, sou considerado um macho bonito, atraente, para o sexo oposto.

MARIA                 — Tem gosto pra tudo! Afe!

INSERIR EFEITO: CAPACETE SE FECHA.

COMANDANTE  — E agora? O que vocês pretendem fazer? Não vão conseguir fugir de um exército inteiro de reptilianos bem treinados.

MARCELO          — O interrogatório ainda não acabou, Kídor.

MARIA                 — E nós fazemos as perguntas.

MARCELO          — Agora, eu quero saber dos planos dos reptilianos. Dependendo das respostas, podemos deixar você viver, ou, não.

COMANDANTE  — E o que vocês querem saber? Contar nossos planos não vai mudar em nada o destino da sua espécie. Vocês vão morrer de qualquer modo. Há dois séculos estamos planejando essa invasão ao Planeta Água. Pensamos em absolutamente tudo. Vocês humanos, geneticamente modificados ou não, não têm a menor chance contra nós.

NA REAÇÃO DE MARCELO E MARIA,

CORTA PARA


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 19h01
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CENA 7. laboratório.int.NOITE

CONT. IMEDIATA DA CENA ANTERIOR. OS MESMOS – MARIA, MARCELO E KÍDOR – NAS MESMAS POSIÇÕES.

MARIA                 — Meu Deus! Você não pode tá falando sério!

MARCELO          — Quantas vidas vocês estão dispostos a sacrificar para vencer essa guerra absurda?!

COMANDANTE  — Você ainda não entendeu, Montenegro? Nosso objetivo é destruir todos os humanos. Todos. Os que viverem servirão apenas de hospedeiros para nossa adaptação na atmosfera deste planeta.

MARIA                 — Vocês querem que tudo pareça apenas uma guerra entre humanos e mutantes, é isso?

COMANDANTE  — A princípio, sim. Quanto menos os humanos souberem da nossa existência, melhor. Enquanto os terráqueos duvidarem de que nós - reptilianos, extraterrestres - existimos de verdade, não serão capazes de organizar a resistência. Mas isso, é claro, até a chegada da Nave Mãe. Mas quando isso acontecer, será tarde demais. Não haverá mais tempo pra nada. Será o princípio do fim da humanidade.

MARCELO          — Acontece que vocês estão subestimando a capacidade dos seres humanos de superarem limites, de lutarem pela sua sobrevivência, de se adaptarem às situações mais adversas. 

MARIA                 — Isso mesmo. Nós podemos ter muitos problemas por aqui, nosso mundo pode não ser perfeito, mas quando nos unimos, podemos fazer coisas incríveis, que até vocês duvidam.

COMANDANTE  — O discurso de vocês não me comove. Eu só acredito em fatos, e os fatos mostram que uma civilização nova como a de vocês não tem a menor chance contra um povo mais antigo como o nosso, com uma tecnologia muito mais evoluída. Enquanto vocês mal conhecem o seu próprio sistema solar, nós viajamos de planeta em planeta, atravessando galáxias e transportando milhões de compatriotas de nossa espécie reptiliana, em naves do tamanho de suas maiores cidades.

MARIA                 — Pois fique sabendo que toda essa sua tecnologia não vai adiantar de nada.

MARCELO          — Nós vamos vencer essa guerra, Kídor.

COMANDANTE  — É o que nós vamos ver. Agora, estou recebendo um sinal.

MARCELO          — Que sinal?

COMANDANTE  — Sinal de partida. Adeus, Marcelo Montenegro e Maria Mayer. Vou assistir da nave emissária ao fim de vocês.

INSERIR EFEITO: KÍDOR SE TELETRANSPORTA.

MARCELO          — O miserável se teletransportou!

MARIA                 — Não acredito! E, agora?

MARCELO          — Maria, cuidado!

LABORATÓRIO É INVADIDO POR REPTILIANOS (FIGURANTES) COM ARMAS.

INSERIR EFEITO: REPTILIANOS ATIRAM.

MARCELO E MARIA SE ESCONDEM ATRÁS DE MÓVEIS E COLUNAS E ATIRAM TAMBÉM. ENQUANTO ATIRAM, FALAM RAPIDAMENTE.

MARIA                 — E, agora, Marcelo? (ATIRA) O Kídor fugiu e nós tamos cercados! (ATIRA) O que a gente faz?

MARCELO          — Eu só sei de uma coisa, Maria. (ATIRA) Vai ser uma luta de vida ou morte.

INSERIR EFEITO: TROCA DE TIROS COM REPTILIANOS.

INSTANTES. TENSÃO EM MEIO AO FOGO CRUZADO.

MARIA                 — Vamos fugir daqui, Marcelo! Agora antes que seja tarde!

MARCELO          — Vamos!

MARCELO E MARIA CORREM PARA A ESCADA.

INSERIR EFEITO: REPTILIANOS ATIRAM.

INSERIR EFEITO: TIROS PEGAM EM LOCAL PRÓXIMO A MARCELO E MARIA.

MARCELO E MARIA CONSEGUEM SUBIR AS ESCADAS, FUGINDO DO LABORATÓRIO.

CORTA PARA

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 18h56
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23/11/2008

Meu amigo Fábio Junqueira foi desta para melhor. Não pude ir ao enterro porque a Lígia estava gravando, e eu fiquei com o bebê. Lembro de Fabinho desde 1983, quando éramos colegas de camarim, em "Adorável Júlia", e Caio Junqueira e o Jonas Torres eram os pequenos que vinham ver o paizão. Eu tinha 19 anos, Fábio tinha 27. Eu fazia o filho, e ele o jovem galã de Marilia Pera. A peça foi um sucesso extraordinário, com direito a aulas diárias de vida e arte desta grande atriz que é Marília. Cismei com Fábio sobre o que era surrealismo, e depois vi que ele tinha razão, sabia muito mais do que eu o que era o movimento, qual a teoria. Ali ele me mostrou o quanto eu - que achava que já tinha lido muito - ainda podia crescer e estudar. Fábio sempre foi mestre na vida, exemplo de caráter, de bom colega, homem cultíssimo, muito inteligente, grande artista, bem criado e educado por excelente família, ótimo pai, companheiro, amigo. Tive a felicidade de voltar a trabalhar com ele e seu filho Caio Junqueira, cuja carreira acompanho desde cedo, no lindo canto de cisne de Herval Rossano, nossa versão de "A Escrava Isaura". O que eu penso sobre o assunto, a morte:
 

A cada dia dormimos e acordamos,

E o sono é uma pequena morte.

O sol todo dia nasce e morre

Para renascer na nova manhã.

A lua cresce e depois desaparece,

A cada mês some para nascer de novo.

As águas descem e depois sobem aos céus.

Assim quero crer que são as almas,

e que nós, eternos, em múltiplas vidas,

vagamos pelos planetas, em idas e vindas,

pelas mágicas realidades deste Universo.

Para sempre ficam os momentos felizes que vivemos juntos. 

Tiago


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 01h41
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