Blog de TIAGO SANTIAGO

08/11/2008

Já estou no Brasil! Muita gente questionou o que eu - fervoroso fã e defensor das novelas brasileiras - fui fazer no México. Fui convidado pela Record, pela qual sou contratado, como consultor em teledramaturgia, para conhecer a Televisa, seus estúdios, instalações, vice-presidentes e diretores, e também para participar das conversas sobre futuras produções em parceria. Jamais poderia me negar a ir, concordam? Por um lado, sou pago para isso; por outro, não posso negar que a cultura de nossos irmãos latinos do hemisfério norte, com sua história pré-colombiana, exerce fascínio sobre mim. E já que houve uma decisão da cúpula da Record de fazer esta sociedade com a Televisa, vou me empenhar ao máximo para que ela dê certo, com o meu melhor conselho, sempre que solicitado. Como tudo na vida, há dois lados, e o mais sábio é sempre tentar ver o lado bom da história. Por exemplo, os contratos foram feitos em moldes muito diferentes do que aconteceu com o SBT, com grande número de salvaguardas para a Record, ainda que eu não possa nem deva entrar em detalhes, no blog ou pela imprensa. Mas é um contrato que não engessa a Record, só continua desde que haja bons resultados de audiência, o que é evidentemente do interesse de ambas as empresas. É claro que adoraria encher a grade de programação de produtos de teledramaturgia nacional, mas a capacidade de investimento da Record ainda está voltada para a construção de estúdios, infra-estrutura. Então, graças ao investimento da Televisa na parceria de produção de novelas no Brasil, a boa notícia é que, ainda em 2009, vamos ter um terceiro horário de novelas, com ampliação de contratações de artistas e técnicos envolvidos. E isto é ótimo! Também acredito que este terceiro horário de novelas possa ser mais um golpe de impacto sobre a concorrência, ampliando nossa vantagem sobre a terceira colocada no ranking das emissoras e aproximando-nos ainda mais da primeira.

Mudando de assunto, meu pequeno faz hoje dez meses, está engatinhando velozmente pela casa, ficando de pé, apoiando-se nas paredes, ensaiando sons, para aprender a falar. Olhar para meu filho sempre me dá a sensação do mais puro e forte amor incondicional que já senti nesta vida.

Segue abaixo cena que foi ao ar nesta sexta, mas não resisto à tentação de publicá-la. Como todos sabem, a Justiça no Brasil é Injustiça, é garantia de impunidade, por isso temos muito mais homicídios dolosos do que os EUA, proporcionalmente! E não passa um dia em que não me surpreenda! Hoje, por exemplo, fiquei chocado ao saber que o assassino confesso do Arthur Sendas vai responder a processo em liberdade. Confiram abaixo a cena, em que faço desabafo sobre a palhaçada que é nosso judiciário! A cabeça de certos juízes parece que tem merda no lugar do cérebro! No domingo, prometo publicar cena inédita.

CENA 8. CASA DE TARSO. INT. NOITE

CONTINUAÇÃO DA CENA 14 DO CAP. ANTERIOR. ESTÃO PRESENTES, JOÃO, BATISTA E SANDRA. BATISTA ENCARA JOÃO. ELE POR SUA VEZ CONTINUA COM SANDRA PRESA EM SEUS BRAÇOS.

BATISTA              — E então? Não vai vir acabar comigo? Não é macho o suficiente pra me enfrentar? Tem que ser sempre com alguém mais frágil do que você?! Meu, solta a Sandra!

JOÃO                    — Ela é minha mulher!

SANDRA              — Fui! Não sou mais! Você me perdeu, João Ricardo!

JOÃO                    — Eu vou fazer o que quiser... e o que bem entender dentro desta casa!

SANDRA              — Esta casa não é mais sua! E eu vou te denunciar pra polícia!

JOÃO                    — Vermes! Vocês não passam de dois vermes!

BATISTA              — E você não vale a porcelana e os talheres de prata em que comeu, playboy safado! Vai procurar a tua turma de gente rica, arrogante e esnobe que não vale nada! Mau-caráter, bêbado! Solta a Sandra, seu canalha!

JOÃO                    — Solto se eu quiser! Na hora em que eu quiser! Minha vontade é despachar vocês dois!

BATISTA              — Ei bitchô, pega leve, meu!

SANDRA              — Por favor, pára com isso! Pelo amor que você tem ao Tarso! Se quer que ele ainda goste de você... pare com essa besteira agora! Você tá me machucando, João! Isso não é justo! Onde está o seu respeito?

SANDRA TENTA SE SOLTAR DOS BRAÇOS DE JOÃO. NÃO CONSEGUE.

JOÃO                    — Eu vou acabar com vocês dois! Não adianta tentar se soltar. Não vou te largar, Sandra Gisa, não vou te largar nunca! Podemos morrer eu e você, mas corno eu não vou ser! 

BATISTA              — Olha quem tá falando? Você traiu por anos a sua mulher! É um derrotado! Não entende que perdeu! Acorda pra vida, meu!

CAM. DETALHA: SANDRA PISA COM SALTO NO PÉ DE JOÃO.

JOÃO                    — Ai!

JOÃO AFROUXA A PEGADA EM SANDRA, QUE DÁ COTOVELADA COM FORÇA NELE.

JOÃO                    — Uh!

SANDRA SE SOLTA E DÁ JOELHAÇO EM JOÃO.

JOÃO                    — Arrgh... Essa doeu...

SANDRA, JÁ SOLTA, CORRE PRO LADO DE BATISTA.

SANDRA              — Fiz curso de Defesa Pessoal... krav magá... se tentar me pegar à força, vai perder sua... sua masculinidade...

JOÃO SENTE A DOR. SENTA-SE OU SE APÓIA EM ALGUM MÓVEL, COMO FICAR MELHOR.

JOÃO                    — Os dois são farinha do mesmo saco! Se merecem! Mas o destino dos dois já tá traçado! Quer dizer que são amantes?

SANDRA PEGA O CELULAR QUE ESTÁ EM CIMA DA MESA. INSTANTES. DISCA.

BATISTA              — Pretende fazer o quê, João? Vai me matar?

JOÃO                    — Pode ser! Posso começar por você enquanto a Sandra assiste tudo de camarote!

JOÃO SACA UMA ARMA. APONTA PARA BATISTA. INSTANTES. SLOW. É UMA PISTOLA RELUZENTE E AUTOMÁTICA. REAÇÕES DE TERROR.

IMAGEM VAI PARA SANDRA. 

SANDRA              — Alô? É da polícia? É uma emergência! Pelo amor de Deus, venham rápido, o meu ex-marido tá armado e tentando me matar! Está me ameaçando! Pelo amor de Deus, venham logo! É nos Jardins! Rua Alcântara Machado Soares, 333, esquina com a Avenida Brasil. Ele é um assassino!

IMAGEM VOLTA PARA JOÃO E BATISTA. JOÃO VÊ SANDRA CHAMADO A POLÍCIA E TOMA O CELULAR DELA.

JOÃO                    — Não quero acabar com a festa antes da hora! Me dá isso aqui!

JOÃO PEGA O CELULAR E O JOGA LONGE. DETALHAR O CELULAR QUE SE PARTE EM MIL PEDAÇOS NA PAREDE. SLOW.

JOÃO                    — Não vai avisar a mais ninguém, nem o serviço funerário! Seremos só nós!

SANDRA              — Você é um louco mesmo! Ameaçando a gente com uma arma! Pode uma coisa dessas? Tem noção da conseqüência dos seus atos?

JOÃO                    — Vou pagar os melhores advogados do Brasil! Os ricos pegam pouco tempo de prisão... É só encontrar uma brecha nos processos, um trâmite errado, sempre vou poder fazer uma apelação pra outra instância... São tantas instâncias neste país, até um assassino ser julgado, sabia? Sabia que mesmo que eu seja condenado em primeira instância, vou poder recorrer e recorrer e recorrer... e o processo vai e vem... e minha defesa vai poder pedir vistas... Se vocês soubessem como a Justiça funciona no país, assim como eu sei, vocês iam entender que eu tô falando sério, muito sério... Sabiam que provavelmente vou poder ficar solto até ser julgado em última instância?...

SANDRA              — Você confia muito na impunidade... como todos os ricos criminosos neste país!

JOÃO APONTA A ARMA PARA SANDRA. ELA PÁRA DE FALAR NA HORA. BATISTA OBSERVA. INSTANTES.

BATISTA              — Quer saber, meu, pela morte de nós dois, você vai é acabar mofando lá na cadeia! A Lei tá mudando! O Brasil é outro!

JOÃO                    — Não, seu idiota! Você não sabe, não entende de leis, motoristazinho ignorante.  No Brasil, dá pra pegar progressão de regime, ir pra rua, com um sexto da pena... A cadeia não segura ninguém muito tempo, e eu vou ficar livre de você! De vocês! Agora calado! Cala a boca! Tua vez vai chegar! Vou acabar com os dois!

BATISTA              — Vamos conversar, João! Se acalma!

SANDRA              — Isso mesmo! Abaixa essa arma! Não faz nenhuma burrada! Escuta o Batista!

JOÃO                    — De repente ficaram mansinhos! É o medo da pistola, não é? Não vou escutar nunca esse motorista de meia tigela! Quem é você para querer conversar alguma coisa com João Ricardo Borba Gato de Albuquerque Andrade?

BATISTA              — Imagina se o Tarso chega e se depara com essa situação?  

A ARMA DE JOÃO AINDA ESTÁ APONTADA PARA SANDRA. INSTANTES.

JOÃO                    — Fica quieto! Não quero ouvir mais um pio da sua boca! Ninguém vai chegar aqui a tempo! Eu vou matar os dois! Agora!

CORTA PARA

 

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 01h38
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04/11/2008

Estou no México! Cheguei sábado, depois de longa viagem, com escala em Santiago, no Chile. No domingo, fui às Pirâmides do Sol e da Luz, em Teotihuacan, perto da Cidade do México. Depois vi a Festa dos Mortos, no Zócalo, a grandiosa praça central da cidade, e vi como este povo maravilhoso faz suas pazes com a morte, com alegria e renovada esperança, de acordo com suas ancestrais tradições.

Nesta segunda, fui conhecer a Televisa, a maior produtora de novelas do mundo, que está fazendo sociedade com a Record.

Acho que deu pra entender pq não bloguei estes dias. Hoje, 14,5 na prévia, com 18 de pico.

Seguem abaixo cenas que devem ir ao ar em breve:

CENA 1. SUBTERRÂNEO. OUTRO LOCAL.  INt. NOITE

CONT. DA CENA 17 DO CAP. ANTERIOR. CARVALHO, NOÉ, PERPÉTUA E CLEO ANDAM PREOCUPADOS.

CLEO                    — Tô cega. Meus olhos não conseguem enxergar... depois que fui atingida por aquele raio reptiliano. E por alguma estranha razão, também não tô conseguindo enxergar nas dimensões invisíveis.

NOÉ                      — Mesmo assim, você não pode nunca duvidar do seu poder de sobreviver.

PERPÉTUA          — Precisamos sair deste subterrâneo. Depois voltar pro continente.

CARVALHO        — Mas como? Vim pra esta ilha com um pensamento de resgatar as pessoas, voltar rápido, e fiquei preso aqui, lutando pra sobreviver.

PERPÉTUA          — Nem me fala. Meu, vocês acreditam que eu saí, consegui voltar pra São Paulo, e fiquei culpada, sabendo que outros tavam no perrengue. Juro que se eu conseguir sair daqui de novo, nunca mais ponho os pés nesta ilha dos Mutantes.

CARVALHO        — (PRA PERPÉTUA, COM INTENÇÃO) Tudo aconteceu de uma forma completamente diferente do que eu tinha pensado.

PERPÉTUA          — A vida é assim. Surpreende... Mas tenho certeza que a gente vai vencer. Não podemos desanimar, galera.

NOÉ                      — Pior que na luta contra os reptilianos, no laboratório, na hora da fuga, perdi a minha vara de ouro.

CARVALHO        — Ter uma vara de ouro me parece algo muito interessante.

NOÉ                      — Foi presente dos reis do Mundo Interior. Eles me deram quando eu saí de lá.

CLEO                    — E o que ela fazia?

NOÉ                      — Com ela era possível me comunicar telepaticamente com o Mundo Interior. Infelizmente, perdi. E eu fico me culpando por isso, me culpando o tempo todo...

PERPÉTUA          — Se a gente pudesse se comunicar com alguém... ou do Mundo Interior... ou do Exterior... seria ótimo. O problema é esta falta de comunicação.

CARVALHO        — Comunicar-se seria realmente a solução... a nossa chance de buscar ajuda e sermos salvos!

PERPÉTUA          — Nem me fala. Tanta gente podia se salvar de situações de muita aflição. O grande palhaço Abelardo Barbosa, o nosso saudoso Chacrinha, comunicador de alegria, sabia tudo mesmo. Ele dizia: “quem não se comunica se trombica”.

CLEO                    — (SE CONCENTRA) Antes eu era capaz de me comunicar pelas dimensões invisíveis. Enxergar com os olhos de dentro...

NOÉ                      — Tenta se concentrar, Cléo. Sempre ouvi dizer que pessoas que perdem a visão desenvolvem mais os outros sentidos: audição, tato, olfato, paladar... e por que não também os sentidos interiores?

CARVALHO        — A visão interior, Cléo. Isso... Tente enxergar com os olhos da alma... os olhos do coração...

CLEO SE CONCENTRA. SUSPENSE. INSTANTES.

CLEO                    — Eu vou me concentrar pra tentar um contato com as dimensões invisíveis. (T) Nada acontece. Não estou conseguindo... nenhum tipo de comunicação.

PERPÉTUA          — Comunicação é tudo. A sociedade se baseia na comunicação, na troca... Troca de mensagens... troca de presentes... troca de carinhos...

 NOÉ                     — Pssiu... Ela parece que está entrando em transe de comunicação... atingindo as dimensões invisíveis.

CLEO                    — Estou vendo... com os olhos da alma...

 PERPÉTUA         — O que você tá vendo?

CLEO                    — (CHORA, CEGA) Agarta foi destruída!

CARVALHO        — O Mundo Interior... destruído?! Será possível?!

CLEO                    — Os reptilianos estão se instalando no coração do planeta... seu plano foi cuidadosamente preparado... suas chances de vitória foram matematicamente planejadas. Eles – os extraterrestres - estão conquistando a Terra.

NOÉ                      — Não é possível. A humanidade vai reagir.

CLEO                    — É por isso que eles se escondem... Fingem que não existem... Abduzem poucos... escolhidos meticulosamente... e os que foram abduzidos são desacreditados... pra que todos pensem que são loucos... Assim eles continuam a agir, sem serem perturbados... Helicópteros, navios, aviões desaparecidos... dizem que caíram... falha mecânica...

PERPÉTUA          — É verdade. Acho que metade das pessoas acredita em extraterrestres. A outra metade não acredita.

CLEO                    — Eles estão assumindo formas humanas... procurando controlar posições chaves dentro da sociedade.

NOÉ                      — Nós precisamos sair daqui... avisar aos outros sobre o que está acontecendo.

CARVALHO        — Não admito perder nosso mundo pros reptilianos.

NAS REAÇÕES DE TODOS, DETERMINADOS,

CORTA PARA

CENA 9. CASA ABANDONADA. INT. NOITE

CONT. IMEDIATA DA ÚLTIMA CENA DO CAP. ANTERIOR. MARCELO – AINDA SE RECUPERANDO, ABALADO PELO FERIMENTO, MAS COM A ADRENALINA SOLTA – ESTÁ AO LADO DE MARIA. OS DOIS ESTÃO MUITO ASSUSTADOS.

SONOPLASTIA. RELINCHOS E CAVALGAR.

MARCELO          — A mula-sem-cabeça, lá fora, querendo entrar... pra nos devorar... Só pode ser um pesadelo!

MARIA                 — É aquele mutante infernal, com poderes telepáticos! Sinto tanto medo que parece que vou morrer!

MARCELO          — É isso que ele quer! Nos matar de susto! Mas lembre-se, Maria, dominar o medo faz parte do aprendizado da vida! É o nosso pensamento, a projeção interior, que define o resultado da vitória ou da derrota!

MARIA                 — No caso, é melhor a gente nem pensar em derrota!

SONOPLASTIA: RELINCHO ASSUSTADOR.

INSERIR EFEITO: PATADAS NA PORTA.

MARCELO          — Derrota da mula-sem-cabeça! Ela que entre! Vamos nos preparar pra lutar, Maria!...

MARIA                 — Minha mãe! Preciso controlar meu medo!

INSERIR EFEITO: PATADAS NAS PAREDES DO BARRACO, COMO SE FOSSEM COICES. PAREDE BALANÇA.

SONOPLASTIA. RELINCHO FORTE.

MARCELO          — Tô sentindo, Maria! É agora! Ela vai entrar!

INSERIR EFEITO: PORTA DESABA.

TERROR DE MARCELO E MARIA, AGUARDANDO.

INSTANTES. RELINCHO FORTE, AINDA DO LADO DE FORA.

INSERIR EFEITO: ENTRA A MULA-SEM-CABEÇA. OBS.: VAMOS POR FAVOR IMAGINAR MULA SEM PESCOÇO, MULA COM PESCOÇO APAGADO POR COMPUTAÇÃO GRÁFICA. DO PESCOÇO, SEM CABEÇA, SAI JATO DE FOGO.

CORTA PARA

 

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 03h59
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