Blog de TIAGO SANTIAGO

28/06/2008

NO PAÍS DA IMPUNIDADE

Venho escrever todo dia neste espaço público da grande rede, como exercício de comunicação de idéias e sentimentos. Hoje não vou falar de novela. Vou falar da sensação de viver no país da impunidade, de ver que apenas um ano e meio depois do crime, a viúva acusada de mandar matar seu marido, o milionário da mega-sena, ganhou habeas corpus e deve ser colocada em liberdade! Como é horrível saber que homicídios no Brasil são tratados com esta leveza! Em nome dos direitos dos acusados, reina a impunidade dos homicidas! A violência é favorecida pelo sistema que premia com honorários os advogados criminalistas, para conseguirem habeas corpus com juízes muitas vezes venais e assim garantirem a soltura de assassinos!  A sensação é de perigo, é de desestruturação da sociedade! É como se a (in)justiça do Brasil - o país do futebol, do samba, do carnaval e da impunidade - mandasse um recado às pessoas: matem quem bem quiserem, porque pouco ou nada lhes acontecerá! E é assim que está solto o Pimenta, impune por seu crime bárbaro e confesso; e estão soltos Guilherme de Pádua e Paula Thomaz; e está solto também Tiago Barbosa de Miranda, que matou meu irmão Bernardo Santiago e Ítalo Borges, ceifou a vida dos dois em Brasília. Estão soltos os assassinos porque Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Cezar Peluso e Sepúlveda Pertence votaram a favor da progressão de regime para criminosos hediondos. Que seus nomes sejam lembrados para sempre com vergonha por terem favorecido a violência e a impunidade. Sofrerão com certeza a conseqüência de seus atos, porque a justiça divina é poderosa e infalível. Muito mais sábios foram Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Celso de Mello, Nelson Jobim e Carlos Velloso, que já previam os desastrosos resultados daquela hedionda decisão do STF. Já são 6% as vítimas traumatizadas pela violência em São Paulo. Quantos precisarão ainda sofrer para que mude o sistema judiciário e prisional no Brasil?


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 19h48
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27/06/2008

BLOGADA

Cada capítulo passa por processo de várias idas e vindas. Mando escaleta, com resumo de cenas, pra que colaboradores desenvolvam, eles me mandam as cenas desenvolvidas, eu junto tudo e mando a primeira revisão pra eles. Foi isso que acabei de fazer agora antes de blogar: mandei mais um capítulo pra revisão de meus colaboradores. Mais tarde eles mandam a revisão deles. Vou ver tudo que foi feito e  vou dar minha última revisão antes de mandar pra produção, ainda hoje. E é assim todo dia. Até amanhã de manhã, tenho que deixar nova escaleta pronta. No domingo, sempre fica um de plantão. Eu tenho folgas ao longo do dia, mas é muito raro conseguir um dia inteiro de folga. Só agüento porque gosto muito do que faço. Segue abaixo cena que deve ir ao ar hoje:

CENA 3. CELA DE MARIANA. INT. NOITE

CONT. DA CENA. 15 DO CAPÍTULO ANTERIOR MARIANA RESPIRA FUNDO. SENTA NA SUA CADEIRA. PEGA UM LIVRO. FOLHEIA AS PÁGINAS, MAS NÃO CONSEGUE LER. INSERIR: IMAGENS QUE FALAM DE ATLÂNTIDA, LEMÚRIA, AGARTHA, EXTRATERRESTRES, DURANTE A FALA DE MARIANA. ALTERNAR COM TAKES DE MARIANA, SEUS OLHOS ATENTOS, OS DEDOS VIRANDO AS PÁGINAS, SUA EMOÇÃO POR ESTAR SE APROXIMANDO DA VERDADE SOBRE JÚLIA. OUVIMOS SEUS PENSAMENTOS EM OFF:

MARIANA           — (OFF, SOBRE IMAGENS) Júlia sempre me dizia que um dia ia me entregar pros extraterrestres. E quantas vezes ela me ameaçou, dizendo outras coisas loucas... que ia me entregar pros seres de Agarta, o reino do centro do mundo, no subterrâneo... a civilização intraterrestre! Eu achava que era loucura dela, que ela estava tentando me confundir. E quando ela disse que ia me mandar para Lemúria, o continente perdido, berço da civilização? Será que o teu conhecimento vem da Lemúria, Júlia? Do continente submerso? Ou será que tudo o que você descobriu vem de outro planeta, que não está nem debaixo da terra nem debaixo do mar? De onde vem esta ciência capaz de criar pessoas com poderes especiais e monstros terríveis?

MARIANA ESTÁ ANGUSTIADA. ELA AINDA SEGURA O LIVRO.

MARIANA           — O que será que esta mulher está tramando?... Meu Deus, como alguém pode ser tão ruim assim?

MARIANA FICA INTRIGADA E PENSATIVA. ELA TENTA REINICIAR SUA LEITURA. ELA OLHA PARA O LIVRO.

MARIANA           — (OFF, SOBRE IMAGENS) Ah! Não vou conseguir ler nada. Estou tão intrigada que nem me concentrar eu consigo... Daria tudo para saber qual é o plano maquiavélico da Júlia!  Não consigo nem imaginar... Será que realmente ela teve contato com seres de outro planeta? Isso tudo é muito maior do que eu posso imaginar... Meu Deus me dê forças para continuar...

MARIANA FECHA O LIVRO, OLHA PARA FRENTE. SEU OLHAR É FIRME. CONTINUAMOS A OUVIR SEU PENSAMENTO EM OFF, SOBRE IMAGENS:

MARIANA           — (OFF, SOBRE IMAGENS) A Júlia pode ter me intimidado por anos, mas não vou mais temer as suas ameaças! É hora de fazer alguma coisa! É hora de tentar reverter a situação! Não posso passar mais tempo trancada aqui! Apesar de estar presa nesta cela há trinta anos, chegou a hora!

MARIANA DEIXA O LIVRO QUE SEGURAVA DE LADO E SE LEVANTA.

MARIANA           — (OFF, SOBRE IMAGENS) Preciso fazer alguma coisa! Afinal a Juli está preparando algo de muito grande e ruim contra a humanidade! Suas maldades não têm mais limites! Ainda mais se realmente ela tiver a ajuda de outro planeta ou a ciência de outras civilizações!

MARIANA FICA PENSATIVA.

MARIANA           — Preciso enganar, Juli! Tenho que conseguir sair daqui! Já sei o que vou fazer! Há muito tempo venho esperando pelo dia em que colocaria tudo o que pensei em prática. Ao longo desses anos todos, não via a hora de tomar essa decisão! É. Chegou o tempo certo!...

ELA OLHA PELA PORTA DE VIDRO.

MARIANA           — Meu plano secreto... Agora é a hora! Guardei-o há muito tempo buscando o momento certo de fugir deste lugar... Chegou a hora! Mas antes preciso enganar Juli.

CORTA PARA

CENA DE ARQUIVO. VISTA AÉREA DE SÃO PAULO. EXT. NOITE

CENA 4 PROGÊNESE/ DEPECOM.SALA. INT. NOITE

AMEAÇADOR, METAMORFO AINDA APONTA ARMA PARA EMANUEL.

METAMORFO    — É difícil deter um mutante que tem o poder de ficar invisível, não é, senhor diretor?

EMANUEL          — Espero que você tenha a consciência que esta sua ousadia vai lhe custar muito caro. Um mutante? Afrontando o diretor do Depecom?

INSERIR EFEITO: METAMORFO SE TRANSFORMA EM META-EMANUEL. REAÇÃO SURPRESA DE EMANUEL

META-EMANUEL  — O Depecom está com os dias contados. Nós vamos mostrar nossa superioridade aos humanos acabando com esse departamento que foi criado para nos perseguir.

EMANUEL          — Como o próprio nome explica o Depecom é “um departamento de pesquisa e controle” de mutantes. Não estamos aqui para perseguir ninguém. Nossa função é tentar manter um controle da situação.

META-EMANUEL  — Nós não queremos que vocês tenham controle sobre nada. E é por isso que eu estou aqui. Quero uma cópia do arquivo com todas as informações que vocês têm sobre nós. Quero todos os planos de ação, relatórios de missão, lista dos agentes e investigadores envolvidos, com endereços e telefones... Ou seja, quero informações completas sobre o DEPECOM.

EMANUEL          — Sinto muito, mas esses arquivos são confidenciais. Só agentes do Depecom podem ter acesso.

META-EMANUEL — Emanuel, ou eu saio daqui com uma cópia dos arquivos, ou meto uma azeitona no teu cérebro. O que você prefere?

EMANUEL          — Para que vocês querem essas informações?

META-EMANUEL — Cala boca e escuta. Aqui sou eu quem manda já que tô com o berro na mão. Faz uma coisa: liga o teu computador e copia todos os arquivos do disco rígido neste pendrive. Faz isso e rápido antes que eu fique estressado.

META-EMANUEL ENTREGA PENDRIVE A EMANUEL. NESSE MOMENTO BATEM NA PORTA. REAÇÃO DE EMANUEL E SEU CLONE. META-EMANUEL FAZ SINAL DE SILÊNCIO COM O DEDO PARA EMANUEL.

META-EMANUEL  — Eu vou ficar invisível. Mas não se esqueça que eu estou com uma arma apontada para sua cabeça. Sem ser visto vai ser fácil acertar você e seja lá quem for que esteja batendo na porta. Se liga!

INSERIR EFEITO: META-EMANUEL FICA INVISIVEL.

BATEM NA PORTA NOVAMENTE.

EMANUEL          — Pode entrar.

ENTRAM ALINE E MIGUEL.

ALINE                  — Desculpe, doutor Emanuel, se nós estivermos sendo inconvenientes, mas o senhor está precisando de alguma coisa?

EMANUEL          — (LIMPA A GARGANTA, PIGARREIA) Hmm... Han-han... Não exatamente...

MIGUEL              — Quando o senhor entrou ainda há pouco, nós ficamos com a impressão que havia algo errado! A gente tava saindo pra uma missão, mas resolvemos voltar pra ver se estava tudo bem... Aconteceu alguma coisa, doutor Emanuel?

NA REAÇÃO NERVOSA DE EMANUEL, COM UM TIQUE DE TENSÃO NO ROSTO,

CORTA PARA

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 16h35
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26/06/2008

QUINTA LINDA

O sol faz a lagoa de Marapendi brilhar com reflexos mágicos em frente à varanda, onde escrevo. Peixes pulam e pássaros voam sobre as águas, que espelham o azul do céu, onde nuvens passam como gigantescos flocos de algodão flutuantes, no ar com aspecto límpido, depois de uma semana fria, de muita chuva. O mundo é mágico, criado pela divina inteligência. Alguns não conseguem perceber as dimensões sutis, as realidades invisíveis, mas aqueles que compreendem conhecerão a felicidade e o amor. Seguem abaixo duas cenas de uma mesma trilha - Ágata e Eugênio - que devem ir ao ar hoje.

 

CENA DE ARQUIVO. LITORAL DE SÃO PAULO. EXT. DIA

CENA DE ARQUIVO. CASA DE TÉOFILO. EXT. DIA

CENA 15. CASA DE TEÓFILO. INT. DIA

DESPEDIDA DE EUGÊNIO E ÁGATA. OS DOIS MUITO EMOCIONADOS.

ÁGATA — Vou sentir muita saudade de você.

EUGÊNIO      — E eu de você, mas prometo que sempre vou te ver em São Paulo...

ÁGATA — Não vai ser fácil, Eugênio... Seu pai não quer o nosso namoro... Ele não vai deixar você viajar a São Paulo, pra me ver...

EUGÊNIO      — Ele vai ter que deixar... e se não deixar, eu fujo...

ÁGATA — Não, Eugênio, não quero que você brigue com seu pai, por minha causa...

EUGÊNIO      — Eu vou brigar com todo mundo, se precisar, pra ficar do seu lado.

ÁGATA — Eugênio, nós ainda somos novos, se Deus quiser, ainda vamos ter muito tempo. Vamos ter paciência. A gente pode se falar pelo telefone, pelo computador... e quando der a gente se vê...

EUGÊNIO      — Mesmo antes de você ir, só de saber que eu vou ficar longe de você, sinto uma dor... um aperto no peito...

OS DOIS SE OLHAM NOS OLHOS.

ÁGATA — Quando eu olhar pro céu, vou lembrar dos seus olhos.

EUGÊNIO      — E vou lembrar dos seus, sempre... a cada instante... vou desejar ter você ao meu lado... queria poder ficar com você... sempre...

CAM. DETALHA: ELES SE DÃO AS MÃOS.

EUGÊNIO      — Queria viver do seu lado... pra poder te abraçar todo dia... te dar carinho... te fazer sentir como é verdadeiro o amor que eu sinto por você...

OS DOIS SE APROXIMAM, PARECE QUE ELE VAI BEIJÁ-LA, MAS EM CIMA DA HORA, ÁGATA ESPIRRA.

EUGÊNIO      — Saúde.

ÁGATA — Ai, desculpe.

ÁGATA ESPIRRA DE NOVO.

ÁGATA — É espirro alérgico... De vez em quando eu tenho uma crise, e espirro trinta, quarenta vezes seguidas. Meu recorde foram sessenta e sete espirros seguidos. Eu sei porque já contei.

ÁGATA ESPIRRA MAIS UMA VEZ.

EUGÊNIO      — Então saúde, de novo!

ÁGATA — Não precisa falar saúde toda vez, senão você vai se cansar...

ÁGATA ESPIRRA MAIS UMA VEZ.

AQUILES ENTRA, COM LUCAS.

AQUILES       — Como é que é? Acabou a despedida aí?

ÁGATA — Não, Aquiles! Espera que me deu um ataque de espirro!

ÁGATA ESPIRRA DE NOVO.

LUCAS — Saúde.

ÁGATA — Com licença, eu vou ao banheiro assoar, pra ver ser passa!

ÁGATA SAI, ESPIRRANDO DE NOVO.

AQUILES       — Ih, quando ela começa a espirrar assim, demora a passar.

LUCAS — Tudo bem. Não tô com pressa.

EUGÊNIO      — Ai que bom que você não tá com pressa, Lucas, porque eu nem consegui me despedir direito da Ágata!

AQUILES       — Fala sério, cês tão se despedindo já faz mó tempão, daqui a pouco já tá de noite...

LUCAS — Calma, Aquiles, eles nem sabem quando vão poder se ver de novo, deixa os dois um pouquinho mais... Já tá tudo pronto pra gente sair, calma!

AQUILES       — Ai, quero ir embora logo, fica essa melação de namorico dos dois, eu hein? Desapega, gente, desapega!

LUCAS — Vamos fazer assim. Eu vou ali à padaria, tomar um suco, fazer um lanche, daqui a pouco a gente volta. Vem, Aquiles!

AQUILES       — Olha lá, hein, Eugênio?

LUCAS — Aquiles, é o tempo de um suco e um sanduíche, sua irmã tá espirrando lá no banheiro, relaxa. Vem! Ô irmão ciumento!

LUCAS PEGA AQUILES PELO OMBRO E VAI SAINDO COM ELE.

CAM. FECHA EM EUGÊNIO:

EUGÊNIO      — (OFF, SOBRE IMAGENS) Não posso ficar longe da Ágata! Tenho que dar um jeito de ficar junto dela!

NO SUSPIRO DE EUGÊNIO, APAIXONADO,

CORTA PARA

VEJA CONTINUAÇÃO DA CENA ABAIXO:


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 10h17
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continuação

 

CENA 1. CASA DE TEÓFILO. INT.NOITE

EUGÊNIO E ÁGATA ESTÃO ABRAÇADOS. ÁGATA FAZ CARINHO EM EUGÊNIO.

ÁGATA                 — Ai, tô super aliviada que passou meu ataque de espirros.

EUGÊNIO            — E o Lucas levou o Aquiles pra fazer um lanche, assim nós podemos ficar mais um pouco juntos.

ÁGATA                 — Eu vou ter muita saudade de você.

EUGÊNIO            — E eu não vou ficar com muita saudade de você, não.

ÁGATA                 — Não?! Por que não?

EUGÊNIO            — Não, porque eu vou dar um jeito de te encontrar logo.

ÁGATA                 — Só não quero que você brigue com seu pai por minha causa.

EUGÊNIO            — Nem acredito que daqui a pouco seu irmão e o Lucas vão entrar por aquela porta e levar você pra São Paulo.

ÁGATA                 — É uma hora e meia daqui com trânsito bom.

EUGÊNIO            — Pois é, dá pra ir e voltar no mesmo dia. Eu vou a São Paulo te ver, sempre que puder.

ÁGATA                 — Ai, tô tão nervosa com esta situação toda. Não sei o que vai acontecer comigo e com meu irmão.

EUGÊNIO            — Você sabe que pode contar comigo, Ágata... e pra gente estar sempre em contato, eu desenvolvi um inter-comunicador pessoal, que está aqui dentro deste anel, na verdade, nesta aliança.

EUGÊNIO ENTREGA PRA ELA UMA ALIANÇA COM CARA DE JÓIA HIGH-TECH.

EUGÊNIO            — E eu vou ficar com uma também.

ÁGATA                 — Que lindo, Eugênio. Coloca em mim que eu coloco em você!

EUGÊNIO COLOCA ANEL EM ÁGATA. ÁGATA COLOCA ANEL EM EUGÊNIO.

EUGÊNIO            — (SORRI) Assim vamos ficar sempre em contato.

ÁGATA                 — Você é o máximo, Eugênio, cê criou uma super aliança que ainda funciona como rádio ou celular...

EUGÊNIO            — Em uma freqüência própria, que só nós temos, pra que ninguém consiga interceptar nossas conversas.

ÁGATA                 — Genial!

EUGÊNIO            — Sempre que você quiser, pode falar comigo, a qualquer hora, a qualquer momento. É só apertar esta jóia aqui, que eu vou escutar, onde quer que eu esteja, entendeu?... E quando você ouvir este sinal...

SONORIZAÇÃO: SINAL DE BIP.

EUGÊNIO            — É porque eu tô querendo falar com você. Tá bom? Verde liga, vermelho desliga.

INSERIR EFEITO: LUZ VERDE E DEPOIS LUZ VERMELHA NA JÓIA, TIPO CRISTAL OU BRILHANTE, COMO FICAR MELHOR.

ÁGATA                 — Obrigada, Eugênio. Você é um gênio.

ELES SE OLHAM NOS OLHOS.

ÁGATA                 — E além de super inteligente, você é lindo também. Tem uns olhos que eu adoro...

EUGÊNIO            — Dizem que os olhos são as janelas da alma.

INSERIR EFEITO: OLHOS DE ÁGATA.

ÁGATA                 — Seus olhos me lembram o céu onde as águias voam.

EUGÊNIO            — Então, menina águia, quero que você voe sempre ao meu lado, porque você é o meu céu.

ÁGATA                 — E ainda por cima você fala as coisas de um jeito tão bonito que me emociona...

EUGÊNIO            — É o amor verdadeiro que me inspira... e é por isso que eu sei... não importa o que aconteça... meu destino vai ser ao seu lado... porque o destino é a gente quem faz. O futuro na verdade é o presente, assim como o passado. A energia que nos criou nos uniu e por mais que tentem nos separar, em breve vamos estar juntos de novo... porque em outras dimensões invisíveis, como no plano espiritual, estaremos sempre juntos.

EUGÊNIO VAI BEIJAR ÁGATA, MAS ELA SOLUÇA.

ÁGATA                 — Ai desculpa.

EUGÊNIO            — Deu soluço?

ÁGATA                 — É...

ÁGATA SOLUÇA.

ÁGATA                 — Ai!

NA PREOCUPAÇÃO DE EUGÊNIO,

CORTA PARA

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 10h16
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25/06/2008

Feliz quarta para todos. Estou muito animado porque esta novela "Os Mutantes" me dá esplêndida liberdade de criação e tem capacidade de renovação quase sem limites. Não sei se jamais terei oportunidade igual a esta em telenovelas, na vida, por isto vou aproveitar este instante e soltar a imaginação pelos campos da mitologia. Este blog é brinquedo novo na mão do escritor. É como se voltasse ao tempo em que mantinha diário, mas agora é público, publicado. Será assim rápido por causa da minha necessidade de produção industrial de capítulos, mas pode ser que consiga aqui instantes mágicos, toques de poesia e frases que podem mudar vidas, como procuro fazer sempre em minhas novelas. Seguem abaixo algumas cenas que devem ir ao ar hoje:

 

CENA DE ARQUIVO. LITORAL DE SÃO PAULO. EXT. DIA

CENA DE ARQUIVO. CASA DE GUIGA. EXT. DIA

CENA 6. cASA DE GUIGA. INT.DIA

CONT. DA CENA 1. OS MESMOS NAS MESMAS POSIÇÕES.

INSERIR EFEITO: TATI COM A MÃO ESTENDIDA, FAZENDO VIVIANE LEVITAR E SUFOCAR.

VIVIANE              — (SUFOCANDO) Pára... com... isso... sua... monstrinha!

TATI APERTA MAIS.  VIVIANE ENGASGA.

ÂNGELA              — (DESESPERADA) Tati, por favor, larga a minha mãe!

TATIANA             — Não! Ela é má!

ÂNGELA              — Eu não acho que ela seja má! E mesmo que fosse... é a minha mãe, Tati! A única que eu tenho! A gente demorou tanto tempo pra se encontrar e agora você tá sufocando ela!

ÂNGELA CHORA, SENTIDA.

TATI VÊ A AMIGA CHORAR E SOLTA VIVIANE, DE REPENTE.

TATIANA             — Tá bom. Mas é só por você que eu tô fazendo isso, Anjinha!

VIVIANE CAI NO CHÃO MEIO DE MAU JEITO. ÂNGELA CORRE PRA ELA. 

ÂNGELA              — Mãe!

VIVIANE              — Essa monstrinha me paga! Olha aqui, garota! Nossa convivência nessa casa se tornou completamente impossível! Você vai ter que ir embora!

TATIANA             — Mas eu não tenho pra onde ir!

VIVIANE              — Problema seu! Quem sabe ficando sozinha no mundo, sem casa, comida, nem amigos, você aprenda a respeitar os outros? Hein?

TATIANA SOBE AS ESCADAS, CHORANDO.

ÂNGELA              — Não, mãe! Não faz isso com a Tati! Ela é legal, é nossa amiga! E o papai prometeu pro pai dela que ia cuidar da Tati!

VIVIANE              — Não interessa. Essa menina é uma ameaça à integridade de vocês! Assim que o Guiga chegar vou exigir que ele mande a freak poltergeist embora imediatamente! (GRITA PRA TATI, QUE SUBIU) Vai pra um orfanato, monstrinha!

ÂNGELA AFLITA.

CORTA PARA

CENA DE ARQUIVO. LITORAL DE SÃO PAULO. EXT. DIA

CENA 7. CLÍNICA. CORREDOR.INT.DIA

CONT. IMEDIATA DA CENA ANTERIOR. FREDO ATIRA.

BEM NA HORA, MARCELO SE JOGA E EMPURRA VALENTE PARA NÃO SER ATINGIDO PELA BALA. GABRIELA GRITA, APAVORADA.

GABRIELA          — Ahhhhhhh!!!

MARCELO          — Foge, doutora! Vai buscar ajuda!

GABRIELA CORRE DALI, DESESPERADA.

GABRIELA          — Socorro! Socorro!!

VALENTE FOGE EM DIREÇÃO AO SEU QUARTO. MARCELO VAI ATRÁS DELE.

FREDO CONTINUA ATIRANDO. PAGLIA TAMBÉM ATIRA.

FREDO                 — Dessa vez você não me escapa, Valente!

VALENTE E MARCELO ENTRAM NO QUARTO.

INSERIR EFEITO: TIROS PEGAM PERTO DELES.

FREDO E PAGLIA VÃO ATRÁS. ELES TENTAM ARROMBAR A PORTA.

PAGLIA                — Fim da linha, cara!

FREDO                 — Desgraçado! Vou acabar com você! Abre essa porta!

FREDO E PAGLIA ESMURRAM A PORTA.

TAVEIRA ACORDA E SAI CORRENDO, SEM SER VISTO POR FREDO. QUANDO TAVEIRA VAI FUGIR, PAGLIA O VÊ.

PAGLIA                — Olha lá, doutor! É o vampiro. Ele tá fugindo!

FREDO                 — Metralha! Extermina!

INSERIR EFEITO: PAGLIA  E FREDO ATIRAM.

INSERIR EFEITO: TIROS PEGAM PERTO DE TAVEIRA.

TAVEIRA CONSEGUE FUGIR.

PAGLIA                — Quer que eu vá atrás dele, doutor Fredo?!

FREDO                 — Não. Fica aqui comigo! Nossa prioridade é acabar com o Valente.

PAGLIA                — Esse cara que tá com ele, doutor... Sabia que eu conhecia o rosto dele de algum lugar... acho que é o Marcelo Montenegro... Tenho quase certeza!

FREDO                 — Nem reparei na cara dele. Se for ou não, Vai morrer junto! Não podemos correr o risco de ter testemunhas!

CORTA PARA

CENA 8. CLÍNICA. QUARTO DE VALENTE. INT.DIA

CONT. DA CENA ANTERIOR. VALENTE E MARCELO TRANCARAM A PORTA.

ESCUTAM ATRÁS DA PORTA, ANSIOSOS.

VALENTE            — Eles vão pegar a gente e vai ser pra matar!

MARCELO          — Calma! Vamos pensar! Encontrar uma saída!

MARCELO OLHA EM VOLTA NO QUARTO, BUSCANDO UMA SAÍDA.

SONOPLASTIA: PORTA SENDO ESMURRADA DO OUTRO LADO.

FREDO                 — (OFF) Você não tem como fugir, Valente! 

PAGLIA                — (OFF) Abre essa porta!

TIROS ATINGEM A PORTA.

MARCELO EMPURRA MÓVEL PESADO PRA FRENTE DA PORTA.

MARCELO          — Me ajuda aqui! Mesmo que eles arrebentem a fechadura, tem que barrar a entrada dos dois!

VALENTE AJUDA.

VALENTE            — Foi esse homem! Agora eu tenho certeza! Eu lembrei Ele e o outro cara, atrás de mim, tentando me matar...

FREDO                 — (OFF) Não vejo a hora de botar as mãos em você! Vou acabar com a sua raça, ordinário!

MARCELO          — Você ouviu?

VALENTE            — Foi esse homem que atirou em mim... Foi ele! Celso Setembrini...

FREDO E PAGLIA ESMURRAM E TENTAM ARROMBAR A PORTA.

PAGLIA                — (OFF) Abre essa droga!

FREDO                 — (OFF) Vou terminar o que eu comecei, Valente! Desgraçado!

SONOPLASTIA: FREDO E PAGLIA TENTANDO ARROMBAR A PORTA.

MAIS MURROS E TIROS NA PORTA.

MARCELO          — Eles vão arrombar a porta a qualquer momento!

VALENTE            — Tenho que dar um jeito de sair daqui! Senão, eles vão me matar! E você também!

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 10h53
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SÃO JOÃO

Queridas e queridos do Brasil, dia 24, dia de S. João, dia de fogueira e fogos. Adoro festas juninas e julinas, festas tradicionais do solstício do inverno, que celebram a passagem do tempo, pelo reconhecimento do dia mais curto e da noite mais longa do ano, no começo do inverno. Passei pra dar uma blogada. Vai ser rápida porque até autores de novela têm direito a descanso. Viva o repouso do guerreiro! Amanhã - quarta de manhã - deixo ceninha! Pra quem curte IBOPE, ontem consolidamos 19 com pico de 22. E hoje tivemos prévia de 18,5 com pico de 21,5.


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 23h02
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23/06/2008

Nasci em Botafogo, fui morar no Rio Comprido, mas quando entendi que estava no mundo, ainda bem pequeno, com uns 3 anos, que é quando eu já me lembro, estava em Copacabana, sendo carregado pra lá e pra cá, com hepatite, não podia nem andar. Dizem que meu xixi ficou preto, na época. Para passar os longos dias sem sair da cama, por orientação médica, começaram - minha mãe, meu pai e meus avós - a me ler histórias em quadrinhos. Minha mãe era professora, na época, andava afastada das artes cênicas para ter certeza da estabilidade como funcionária do município, e ela me ensinou a ler. Com 4 anos, já lia. Depois quis o destino que eu fosse garoto de apartamento, criado em meio a livros; e a partir dos 11 anos de idade, fui morar em frente a Biblioteca de Botafogo, na Rua Farani. Daí se explica a formação deste escritor, desde seus primórdios. E aí vão mais duas ceninhas que devem ir ao ar hoje:

CENA DE ARQUIVO. VISTA AÉREA. SÃO PAULO. EXT. DIA

CENA DE ARQUIVO. CASA DE TARSO. EXT. DIA

CENA 19. CASA DE TARSO.INT. DIA

CONT. IMEDIATA DA CENA 12 DO CAP. ANTERIOR. JOÃO RICARDO E SANDRA ESTÃO EM ESTADO DE CHOQUE.

TARSO ENGOLE EM SECO. GASPAR ESTÁ ACUADO NUM CANTO, FAZENDO BAIXINHO HU! HU!, MUITO ASSUSTADO:

GASPAR              — Hu! Hu!

LUNA VAI PARA O LADO DE GASPAR, PARA ACALMÁ-LO.

LUNA                   — Pssiu... fica calmo...

SANDRA              — Ai! Ele quebrou!

JOÃO RICARDO — (DESESPERADO) Isso aí, era uma relíquia da minha família quatrocentona! Um objeto que foi passado de mão em mão através dos séculos e agora foi destruído por esse seu amigo, que nem consegue falar...

GASPAR              — Ni conxegue falá...

LUNA                   — Ele só repete algumas coisas, mas parece que não entende ainda...

LUNA DÁ AS MÃOS A GASPAR.

LUNA                   — Fica bem, fica calmo...

GASPAR ACOMPANHA LUNA.

GASPAR              — (OFF, SOBRE IMAGENS) Sabia que tinha feito alguma coisa que não devia, porque o homem mais velho ficou com uma cara muito pouco amistosa, olhando feio para mim...

JOÃO RICARDO AJUNTA OS CACOS DA ESTATUETA.

JOÃO RICARDO — (COM VONTADE DE CHORAR, SEM ACREDITAR) Foi no interior oco desta estatueta quebrada que o meu ancestral bandeirante Bartolomeu Fialho Borba Gato de Sardinha Andrade trouxe diamantes de Minas Gerais, começando a fortuna da nossa família, em 1608. Este tesouro foi passado de pai pra filho, por quatrocentos anos, dez gerações até que foi destruído, por este rapaz seu amigo dos pés imundos de areia, que não consegue nem falar...

GASPAR              — (OFF, SOBRE IMAGENS) Ele falava sem parar, coisas que eu ainda não compreendia... Naquele momento, eu só conseguia pensar no que eu tava sentindo... as mãos suaves da Luna, nas minhas mãos... as deliciosas mãos de Luna...

CAM. DETALHA MÃO DE LUNA NA MÃO DE GASPAR.

JOÃO RICARDO — Esse rapaz tá drogado? Tarso, faça o favor de me dizer quem é esta pessoa que não consegue nem falar e destruiu nossa relíquia de quatrocentos anos!

SANDRA              — E então, Tarso, você vai explicar direitinho ou não, quem é seu novo amigo, hein?

JOÃO RICARDO — Pra começar, qual é o nome dele?

TARSO                 — Não sei o nome dele, pai...

SANDRA              — Como não sabe o nome dele?

JOÃO RICARDO — E que história mais absurda é essa? Como você me traz o rapaz aqui em casa e nem sabe o nome dele?!

CORTA PARA

 

3º INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA 20. CASA DE TARSO.INT. dia

CONT. IMEDIATA DA CENA ANTERIOR.

LUNA                   — A gente chama ele de Gaspar... por causa do Kaspar Hauser, o alemão que foi largado na praça com dezoito anos, depois de passar toda a infância e juventude, sem ter contato com seres humanos...

TARSO                 — Ele apareceu no nosso acampamento... do nada...

LUNA                   — Ele estava pelado... sem nenhuma roupa...

TARSO                 — E ele não sabe falar direito... Quero dizer, ele apenas repete algumas palavras que ouve...

SANDRA              — (HORRORIZADA) E você traz pra dentro de casa, alguém assim, desse jeito? Que simplesmente apareceu nu, no camping?

JOÃO RICARDO — Pode ser um marginal... ou até um doente mental... vai ver é isso, ele deve ter fugido do hospício...

LUNA                   — Ou ele pode ser um ET!

SANDRA              — Como?

TARSO                 — Um extraterrestre!

JOÃO RICARDO — Tarso, de vez em quando, eu até admiro sua imaginação, só que desta vez, você foi longe demais.

SANDRA              — Trate de arrumar um outro local pra esse garoto ficar!

JOÃO RICARDO — Tarso, leve esse seu amigo pra fora, imediatamente!

TARSO                 — Tudo bem, tudo bem... mas antes eu preciso ligar pra polícia. Três bandidos atacaram o nosso camping!

SANDRA              — Como é que é? Tarso! Bandidos no camping?! Que é isso, meu filho, que perigo!

TARSO PEGA O TELEFONE E FAZ A LIGAÇÃO. JOÃO RICARDO JÁ CATOU OS CACOS DA ESTATUETA

JOÃO RICARDO — Olha só pra isso! Ele destruiu a relíquia da minha família, que era uma lembrança histórica, um símbolo de quatrocentos anos da fortuna da nossa família! E agora foi espatifada!

SANDRA              — (IRRITADA COM JOÃO) Você fica preocupado com a estatueta quatrocentona, em vez de dar atenção ao seu filho! Ele acabou de falar que foi atacado no camping por bandidos! Você escutou?!

CAM. VAI PARA TARSO, QUE FALA PELO TELEFONE (SÓ VEMOS O LADO DELE).

TARSO                 — (NO TEL.) Alô! É da polícia? (ESCUTA) Eu tô ligando pra avisar que três bandidos atacaram o nosso camping...

CAM. VAI PARA GASPAR E LUNA. GASPAR OLHA TUDO ATENTAMENTE, MAS NÃO ENTENDE NADA DO QUE ESTÁ ACONTECENDO.

CORTA PARA

 

 


Escrito por TIAGO SANTIAGO às 15h35
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22/06/2008

Queridas e queridos do Brasil, felicidade para todos. Quero falar hoje da minha alegria por ter Milton Nascimento na abertura da novela, cantando "Planeta Sonho" com 14 Bis! Conheci Milton em 1977, quando eu tinha 14 anos, na noite em que ele foi ver "Seis Personagens à Procura de Autor". Foi minha estréia no Teatro. Era aniversário da Dina Sfat, maravilhosa, para sempre amada, e ela convidou alguns amigos pra belíssima peça de Pirandello, com encenação de Paulo José e magistral elenco (Myriam Pires, Rogério Fróes, Luiz Linhares, Thelma Reston, Hélio Ary, Bia Bedran, Carlos Gregório, Vicente Barcellos, entre outros). Depois da peça, seguimos todos pra festa, na cobertura dela e de Paulo José, na R.João Lyra. Bel, Ana e Clara (filhas de Paulo e Dina) eram ainda crianças. Foi lá que conheci meu super maravilhoso amigo querido Bituca, que é como eu e seus amigos o chamamos. É o maior cantor do Brasil, com voz de anjo, cantando pro nosso planeta e seus habitantes sobre o sonho de ser, na abertura de "Os Mutantes". Milton Bituca Nascimento é exemplo de caráter, de dignidade, de brasilidade, de amor à arte! Viva Milton! Viva a Terra! Viva "O Planeta Sonho"! Viva a abertura de "Os Mutantes", com Milton e 14 Bis! 
Escrito por TIAGO SANTIAGO às 17h41
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